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mai 16

Erro faz suco exótico virar suco erótico e gera indenização

Uma lanchonete ganhou direito de ser indenizada por danos morais e materiais após ter divulgada publicidade com erro. O anúncio, veiculado em lista telefônica no PR, trocou as letras e divulgou a venda de “sucos eróticos e gralhados” em vez dos comuns “sucos exóticos e grelhado”.

A lista circulou entre 2008 e 2009 com os erros de grafia e o número de telefone errado do estabelecimento. A decisão, da 9ª câmara Cível do TJ paranaense, manteve, por unanimidade, a sentença do juízo da 1.ª vara Cível da comarca de Londrina. Além da indenização, também foi incluída multa contratual, totalizando mais de R$ 5 mil. A Telelista Ltda. apelou, alegando que o erro causou apenas mero dissabor ao cliente, sem abalo à honra da autora.

O desembargador Renato Braga Bettega, relator do recurso, afirmou que “a publicação do anúncio com erro gravíssimo ocorreu por negligência da empresa ré, que reconheceu que o equívoco se deu por descuido do funcionário”. Para ele, embora não possua honra subjetiva que é interna e inerente à pessoa física, a empresa pode ser atingida em sua honra objetiva, concernente à imagem, bom nome e reputação no meio social.
Ele afirmou que a apelante é responsável pelos danos causados ao consumidor independentemente da verificação de culpa, pois a responsabilidade da prestadora de serviço é objetiva, nos termos do artigo 14, da lei 8.078/90. Bettega acrescentou que a súmula 227, do STJ, estabelece que “A pessoa jurídica pode sofrer dano moral”.

Autor: Diretas Já na OAB

mai 15

A História do Violão

Sem sombra de dúvidas uma longa história que começou a ser descoberta há quase dois mil anos antes de cristo. Na antiga Babilônia arqueologistas encontraram placas de barro com figuras seminuas tocando instrumentos musicais, muitos deles similares ao violão atual (1900-1800 a.C). Um exame mais detalhado nos mostra que há diferenças significativas no corpo e no braço.

O fundo é chato, portanto sem relação com o alaúde, de fundo côncavo. As cordas são pulsadas pela mão direita, mas o número de cordas não é preciso mas em algumas placas pelo menos duas cordas são visíveis. Indícios de instrumentos similares ao violão foram encontrados em cidades como Assíria, Susa e Luristan.

EGITO: O único instrumento de cordas pulsadas era a HARPA de formato côncavo que depois foi acrescentada de um braço com trastes cuidadosamente marcados e cordas feitas de tripa animal. Pouco tempo depois estas características se combinariam e evoluíram para um instrumento ainda mais próximo do violão.

ROMA: Instrumento totalmente de madeira surge (30 a.C-400 d.C) . O tampo que antes era de couro cru (semelhante ao banjo) agora é de madeira e possui cinco buracos. É importante frisar que nas catacumbas egípcias foram encontradas instrumentos com leves curvas características do violão.

O primeiro instrumento de cordas europeu, de origem medieval data de 300 anos depois de cristo, e possuía um corpo arredondado que se interligava com um braço de comprimento considerável. Este tipo de instrumento foi utilizado por muitos anos e foi o antepassado provavelmente da teorba.

Há também a descrição de outro instrumento datado da Dinastia Carolingian que pode ser de origem tanto alemã como francesa.Este instrumento possuía formato retangular e seu corpo era equivalente ao seu braço.

Em ilustrações pode se observar que na “mão ” do instrumento ( de formato arredondado) se encontravam de quatro e as vezes cinco tarraxas de afinação, com um número de cordas equivalente. Este instrumento manteve seu formato e suas definições até o século quatorze.

Paralelamente á este instrumento, outro começou a se desenvolver. Possuía leves curvas nas laterais do corpo tornando-o mais anatômico e confortável. Descrições deste instrumento foram encontradas em catedrais inglesas, espanholas e francesas datadas do fim do século quatorze. Surgia então a guitarra.

É importante frisar que haviam distinções, como a guitarra Latina e a guitarra Morisca. A guitarra Morisca , como o nome indica, tinha origem Moura, devido a colonização da Espanha e da África do Norte.

Este instrumento possuía um corpo oval e o tampo possuía vários furos ornamentados chamados de Rosetas. Era totalmente remanescente do Alaúde, e dentro deste conceito uma série de outros modelos, com diferentes números de cordas também existiam .

Já a guitarra Latina , tinha as curvas nas laterais do corpo que marcariam o desenho já quase definitivo do instrumento. A guitarra latina ( assim como a Morisca ) gozavam de grande popularidade e gosto na Europa Medieval.

Essa popularidade se devia principalmente a presença dos “Trovadores”, músicos de natureza nômade que com suas performances e constantes viagens enriqueceram a cultura européia e impulsionaram a popularidade e reconhecimento do instrumento.

Até a Idade Média as informações sobre a guitarra eram obtidas de maneira indireta na sua maioria, através de afrescos, pinturas e pequenas anotações da época. A partir do período Barroco, as informações sobre instrumentos em geral e sobre música são muito mais claras e precisas.

Embora não seja bem definida, pois existem segundo musicólogos várias teorias para o sua criação, odiernamente apresentam-se duas, citadas por Emílio Pujol na sua conferência de nome “La guitarra y su História” que ocorreu em Paris no dia 9 de Novembro de 1928, onde resolveu que:

A primeira hipótese é de que o Violão seria derivado da chamada “Khetara grega”, que com o domínio do Império Romano, passou a se chamar “Cítara Romana”, era também denominada de “Fidícula”.

Teria chegado á península Ibérica por volta do século I d.C. com os romanos; este instrumento se assemelhava á “Lira” e, posteriormente foram acontecendo as seguintes transformações: os seus braços dispostos da forma da lira foram se unindo, formando uma caixa de ressonância, a qual foi acrescentado um braço de três cravelhas e três cordas, e a esse braço foram feitas divisões transversais (trastes) para que se pudesse obter de uma mesma corda a ser tocado na posição horizontal, com o que ficam estabelecidas as principais características do Violão.

A segunda hipótese é de que o Violão seria derivado do antigo “Alaúde Árabe” que foi levado para a península Ibérica através das invasões muçulmanas, sob o comando de Tariz.

Os mouros islamizados do Maghreb penetraram na Espanha cerca de ( 711 ) e conseguiram vencer o rei visigodo Rodrigo, na batalha de Guadalete. A conquista da península ( 711-718 ), formou um emirado subordinado ao califado de Bagdá.

O Alaúde Árabe que penetrou na península na época das invasões, foi um instrumento que se adaptou perfeitamente á s atividades culturais da época e, em pouco tempo, fazia parte das atividades da côrte. Acreditava-se que desde o século VIII tanto o instrumento de origem grega como o Alaúde Árabe viveram mutuamente na Espanha.

Isso pode-se comprovar pelas descrições feitas no século XIII, por Afonso, o sábio, rei de Castela e Leão ( 1221-1284 ), que era um trovador e escreveu célebres cantigas através das ilustrações descritas nas cantigas de Santa Maria, que se pode pela primeira vez comprovar que no século XIII existiram dois instrumentos distintos convivendo juntos.

O primeiro era chamado de “Guitarra Moura” e era derivado do Alaúde Árabe. Este instrumento possuía três pares de cordas e era tocado com um plectro (espécie de palheta ); possuía um som ruidoso. O outro era chamado de “Guitarra Latina”, derivado da Khetara Grega.

Ele tinha o formato de oito com incrustações laterais, o fundo era plano e possuía quatro pares de cordas. Era tocado com os dedos e seu som era suave, sendo que o primeiro estava nas mãos de um instrumentista árabe e o segundo, de um instrumentista romano.

Isso mostra claramente as origens bem distintas dos instrumentos, uma árabe e a outra grega; que coexistiram nessa época na Espanha. Observa-se, portanto, como a origem e a evolução do Violão estiveram intimamente ligadas á Espanha e a sua história.

Como este instrumento passou a chamar-se “Violão”? Em outros países de língua não portuguesa o nome do Violão é guitarra, como pode se ver em inglês (Guitar), francês (Guitare), alemão (Gitarre), italiano (Chitarra), espanhol (Guitarra).

Aqui no Brasil especificamente quando se fala em guitarra quer se denominar o instrumento elétrico chamado Guitarra Elétrica. Isso ocorre porque os portugueses possuem um instrumento que se assemelha muito ao Violão e que seria atualmente equivalente á nossa “Viola Caipira”.

A Viola portuguesa possui as mesmas formas e características do Violão, sendo apenas pouco menor, portanto, quando os portugueses se depararam com a guitarra (Espanhol), que era igual a sua viola sendo apenas maior, colocaram o nome do instrumento no aumentativo, ou seja, Viola para Violão.

O VIOLÃO NO BRASIL

A VIOLA, instrumento de dez cordas ou 5 cordas duplas, precursor do violão e popularíssima em Portugal, foi introduzida no Brasil pelos jesuítas portugueses, que a utilizavam na catequese. Já no século XVII, referências são feitas á viola em São Paulo, uma delas colhida por Mário de Andrade: “Em 1688 surge uma certa viola avaliada em dois mil réis, preço enorme para o tempo.

E, caso curioso, esta guitarra pertenceu a um dos mais notáveis bandeirantes do século XVII: Sebastião Paes de Barros.”

Ainda na mesma obra, Mário de Andrade cita Cornélio Pires, para quem a viola é um dos instrumentos que acompanha as danças populares de São Paulo. A confusão entre a viola e violão começa em meados do século XIX, quando a viola é usada com uma afinação própria do violão, isto é, lá, ré, sol, si, mi.

A confusão no uso do termo viola/violão, continua nessa época como atesta Manuel Antônio de Almeida, autor da Memórias de um Sargento de Milícias (1854-55), quando se refere muitas vezes com terminologia da época do final da colônia, á viola em vez de violão ou guitarra sempre que trata de designar o instrumento urbano com o qual se acompanhava as modinhas.

A viola, hoje, tornou-se a viola-caipira, instrumento típico do interior do país, e o violão, depois de ter sua forma atual estabelecida no final do século XIX, tornou-se um instrumento essencialmente urbano no Brasil. O violão também tornou-se o instrumento favorito para o acompanhamento da voz, como no caso das modinhas, e, na música instrumental, juntamente com a flauta e o cavaquinho, formou a base do conjunto do choro.

Por ser usado basicamente na música popular e pelo povo, o violão adquiriu má fama, instrumento de boêmios, presente entre seresteiros, chorões, tornandos-se sinônimo de vagabundagem. Assim o violão foi considerado durante anos.

Os primeiros a cultivar o instrumento de uma maneira séria foram considerados verdadeiros heróis.

O engenheiro Clementino Lisboa foi o primeiro a se apresentar em público tocando violão, especialmente no Clube Mozart, o centro musical da elite carioca fin-de-siècle. Ainda algumas figuras proeminentes da sociedade carioca dedicaram-se ao instrumento na tentativa de reerguê-lo, tal é o caso do desembargador Itabaiana, do escritor Melo Morais e dos professores Ernani Figueiredo e Alfredo Imenes.

Um dos precursores do violão moderno no Brasil foi Joaquim Santos (1873-1935) ou Quincas Laranjeiras, fundador da revista O Violão em 1928, e que nos últimos anos de vida dedicou-se a ensinar o violão pelo método de Tárrega.

Uns anos antes, 1917, Augustin Barrios se apresenta em uma série de recitais no Rio de Janeiro, tocando o instrumento de uma forma nunca vista/ouvida antes. Segue-se a tournée de Josefina Robledo, que tendo permanecido aqui por algum tempo, estabelece os fundamentos da escola de Tárrega.

Dessa época destaca-se a agora reconhecida obra de João Teixeira Guimarães (1883-1947) ou João Pernambuco, sobre quem Villa-Lobos dizia, a respeito de suas obras: “Bach não teria vergonha de assiná-las como suas.”

Atualmente a obra de João Pernambuco é bem conhecida graças ao trabalho de Turíbio Santos e Henrique Pinto.

Aníbal Augusto Sardinha (1915-1955), o Garoto, foi um dos precursores da bossa-nova. Atualmente as excelentes obras de Garoto ganharam vida nova, graças a Paulo Bellinati, que recuperou, editou e gravou boa parte de sua obra.

Mencionamos o samba-exaltação Lamentos do Morro, os choros Tristezas de um violão, Sinal dos Tempos, Jorge do Fusa e Enigma, e a Debussyana, entre tantas outras. Ainda na linha da música popular destacam-se Américo Jacomino (1916-1977), Nicanor Teixeira, e mais recentemente a figura de Egberto Gismonti com suas obras Central Guitare e Variations pour Guitare (1970), ambas de caráter experimental.

Também Paulo Bellinati realiza excelente trabalho como compositor, obras como Jongo, Um Amor de Valsa e Valsa Brilhante já ganharam notoriedade.

O violão no Brasil passou a se desenvolver, principalmente, em dois grandes centros, Rio e São Paulo, de onde vem a maioria dos grandes violonistas brasileiros, que tiveram ou têm sua formação instrumental com os professores destas cidades.

Em São Paulo, o excepcional trabalho desenvolvido pelo violonista uruguaio Isaías Savio (1900-1977), que teve sua formação violonística com Miguel Llobet, resultou em uma das melhores escolas de violonistas da América do Sul.

Depois de residir na Argentina, Savio radicou-se definitivamente no Brasil, primeiro no Rio, depois em São Paulo. Nesta cidade, onde desenvolveu a maior parte do seu trabalho, fundou a Associação Cultural Violonística Brasileira, e em 1947 tornou-se professor de violão do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, como fundador da cadeira de violão, a primeira do país.

Ainda em 1951, participou da fundação da Associação Cultural de Violão de São Paulo. Além desta intensa atividade, Savio se distinguiu pela composição de mais de 100 obras para o instrumento e cerca de 300 transcrições e revisões.

Hoje em dia suas compilações de estudos ainda são usadas em muitas escolas por todo o país.

Entre os discípulos de Savio que mais se destacaram está Antonio Carlos Barbosa-Lima (1944), que aos 13 anos estreou como concertista e aos 14 gravou seu primeiro LP.

Barbosa-Lima é na atualidade um dos mais conceituados violonistas, tanto em concertos, como na edição, transcrição e comissão de novas obras para o instrumento. Basta dizer que a Sonata op. 47 de Alberto Ginastera foi por ele comissionada e a ele dedicada.

Henrique Pinto, também aluno de Savio, é reconhecidamente um dos mais importantes pedagogos do instrumento na atualidade. Além de desenvolver uma grande atividade como editor e revisor de obras para violão, Henrique é o responsável por uma geração dos melhores violonistas brasileiros. Entre estes estão: Angela Muner, Jácomo Bartoloni, Edelton Gloeden, Ewerton Gloeden e Paulo Porto Alegre.

Ainda de São Paulo devemos citar a Manoel São Marcos e sua filha Maria Lívia São Marcos, radicada na Europa, e Pedro Cameron, também compositor de excelentes obras como Repentes, vencedora do 1º Concurso Brasileiro de Composição de Música Erudita para piano ou violão – 1978.

No Rio, destaca-se a figura de Antonio Rebelo (1902-1965), que também foi aluno de Savio quando da residência deste no Rio. Rebelo desenvolveu atividades como docente, impulsionando o violão na cena musical.

Entre seus discípulos estão Jodacil Damasceno, Turíbio Santos, Sérgio e Eduardo Abreu.

Jodacil Damasceno (1929), além dos estudos com Rebelo, estudou com Oscar Cáceres.

Turíbio Santos (1943), também estudou com estes dois mestres e com Julian Bream e Andrés Segóvia. Santos foi o primeiro brasileiro a vencer, em 1965, o Concurso Internacional de Violão da O.R.T.F., em Paris.

Fez a primeira gravação integral dos doze Estudos de Villa-Lobos e participou da estréia mundial do Sexteto Místico, também de Villa-Lobos.

Turíbio é um dos maiores divulgadores da obra do grande compositor brasileiro e hoje dirije o Museu Villa-Lobos no Rio.

Os irmãos Abreu, Sérgio (1948) e Eduardo (1949), desenvolveram uma das mais brilhantes carreiras de concertistas internacionais. Ambos estudaram com seu avô Antonio Rebelo e com Adolfina Raitzin de Távora.

Foram premiados, em 1967, no Concurso Internacional de Violão da O.R.T.F.. Realizaram inúmeras gravações na Inglaterra, e se destacaram como um dos melhores duos de violão de todos os tempos.

Atualmente, Sérgio dedica-se á construção de violões. Ainda devemos mencionar outros violonistas cariocas como Léo Soares, Nicolas Barros, Marcelo Kayath, também premiado em Paris, e o brilhante Duo Assad, formado pelos irmãos Sérgio e Odair.

A música brasileira para violão tem se desenvolvido, praticamente, á sombra da excepcional, embora pequena, obra de Villa-Lobos, que continua sendo a mais conhecida nos meios violonísticos nacionais e internacionais. Alguns compositores tentaram reprisar o sucesso dos 12 estudos.

Este é o caso de Francisco Mignone (1897-1986), que com sua série de 12 Estudos (1970), dedicados e gravados por Barbosa-Lima, não obteve o sucesso musical almejado.

Já o mineiro Carlos Alberto Pinto Fonseca (1943), compôs Seven Brazilian Etudes (1972), também dedicados a Barbosa-Lima, nos quais demonstra um nacionalismo e lirismo da mais pura escola nacionalista.

O compositor paulista Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993), uma das figuras mais proeminentes da música brasileira escreveu pouco, mas bem, para violão. O Ponteio (1944), dedicada e estreada por Abel Carlevaro, a Valsa-Choro e os três pequenos Estudos, apresentam-se com uma linguagem mais livre da influência da obra violonística de Villa-Lobos.

Mais original quanto a sua linguagem musical é a obra de Radamés Gnatalli (1906-1988).

A forte ligação de Gnatalli á música popular brasileira é claramente visível em várias de suas obras que misturam a música urbana carioca a uma refinada técnica e musicalidade.

Das suas obras para violão, destacam-se os vários concertos para violão e suíte Retratos para dois violões, Sonata para violoncelo e violão e a Sonatina para violão e cravo, além da inclusão do violão em várias obras para grupo instrumental de caráter regionalista.

Edino Krieger (1928) compôs uma das mais importantes obras para o repertório dos últimos tempos. A Ritmata (1975), dedicada a Turíbio Santos, explora novos efeitos instrumentais e associa uma linguagem atonal a procedimentos técnicos utilizados por Villa-Lobos.

A obra de Almeida Prado (1943) Livro para seis cordas (1974) apresenta uma concepção musical originalíssima livre de qualquer influência violonística tradicional e que delineia bem o estilo deste compositor; esta obra ainda apresenta certas semelhanças com as Cartas Celestes (1974) para piano quanto á sua concepção sonora.

Marlos Nobre (1939) tem na série Momentos a sua obra mais importante para violão. Escrita a pedido de Turíbio Santos e projetada para 12 números, os primeiros quatro foram escritos entre 1974 e 1982.

Ainda de Nobre destaca-se a Homenagem a Villa-Lobos e Prólogo e Toccata op. 65. Para dois violões, Marlos Nobre recriou 3 Ciclos Nordestinos dos originais para piano, ótimas obras miniaturas que utilizam motivos do folclore nordestino.

Ricardo Tacuchian (1939) escreveu Lúdica I (1981), dedicada a Turíbio Santos, em que apresenta uma linguagem contemporânea com toques de nacionalismo e efeitos sonoros os mais diversos.

A sua Lúdica II (1984), escrita em homenagem a Hans J. Koellreutter, é uma obra mais tradicional quanto á sua concepção sonora. Jorge Antunes (1942) escreveu Sighs (1976), na qual o autos requer uma afinação especial para o segundo movimento, uma invenção em torno da nota si.

Lina Pires de Campos escreveu o excelente Ponteio e Toccatina (1978), obra premiada no 1º Concurso Brasileiro de Composição de Música Erudita para Piano ou Violão – 1978.

Deste mesmo evento surgiram novas obras, como o já mencionado repentes de Pedro Cameron, a Suíte Quadrada de Nestor de Holanda Cavalcanti e o ótima Verdades de Márcio Cortes.

Ainda cabe aqui mecionar a obra do boliviano, radicado e ligado a Curitiba e ao Brasil durante anos, Jaime Zenamon (1953), dono de uma excelente e prolífica produção para o instrumento que tem sido extremamente bem aceita nos meios violonísticos internacionais.

Entre suas obras destacam-se Reflexões 7, Demian, The Black Widow, Iguaçu para violão e orquestra, Reflexões 6 para violoncelo e violão, e a Sonatina Andina para dois violões.

Referências Bibliográficas: A Evolução do Violão na História da Múscica / autor : Eduardo Fleury Nogueira / 1991 / São Paulo. História do Violão / autor: Norton Dudeque / 1958 / Curitiba.

mai 15

A maior Viola do Brasil

João Spósito, de Maringá – PR, construiu sozinho o instrumento, que mede 5,13 metros de altura

Maior viola funcional
O novo recordista que entra para o RankBrasil, em 2004, é João Spósito, da cidade de Maringá – PR, conhecido como Luthier João da Viola. Ele construiu sozinho a Maior viola funcional do país, com 5,13 metros.

A viola gigante tem dez cordas e foi feita com material importado da Alemanha, Suécia e Índia. Para a construção, o recordista usou os materiais que utiliza para montar violas com tamanhos normais.

O instrumento especial é feito de diferentes tipos de madeiras: o braço da viola é de cacheta, o corpo de virola, a parte traseira de cedrão, e o cavalete de peroba rosa. A viola também é construída de tarraxas e trastos de metais, cordas em aço alemão, adesivo importado e acabamento de laca branca e verniz transparente nacional.

O instrumento levou cerca de seis meses para ficar pronto. Foram 300 horas de trabalho. “Eu gosto de trabalhar sozinho e em silêncio. Nem ouço música”, revela João.

João fabrica violas há 36 anos para vários artistas como Roberto Corrêa, Badia Medeiros, Banda Teodoro Sampaio, Almir Satter, Eduardo do Grupo Quinto, Eduardo da Orquestra de Viola de Osasco, Integrantes da Orquestra de Viola de Londrina (Braz da Viola), além de enviar algumas para o exterior.

Ele também toca viola, mas diz que prefere fabricar. Enquanto o recordista cuida da divulgação do feito, o músico Paulo Santana ensaia para estrear a viola gigante.

O projeto
O recordista decidiu fabricar a maior viola há uns dez anos, devido ao sonho de entrar para a história. “Este projeto vem me acompanhando a vida toda, a viola gigante não é somente uma obra de arte, mas a história de um luthier, que vem lutando contra tudo e contra todos, em busca de uma vitória honesta e honrosa, valorizando com talento e dedicação este instrumento que está no sangue de todos nós brasileiros”, declara o artista.

Curiosidade
Seria preciso 5,2 violas originais de 98cm de comprimento para chegar ao tamanho da maior viola, de 5,13m
A viola tradicional surgiu na história em 2500 anos a.C.

mai 14

Curiosidades sobre o Chopp

O Chopp, ou em bom português, chope (do alemão Schoppen, “copo de meio – litro”, pelo francês chope) é como se denomina, no Brasil, a cerveja sem pasteurização, servida sob pressão, que em Portugalrecebe o nome de fino ou imperial.

O chamado “colarinho” é uma camada de espuma que, apesar de evitado por alguns, é um importante componente da bebida, devendo ter por volta de três dedos (ou trêscentímetros), de maneira a impossibilitar que o calor interfira em sua temperatura,[1] servindo como isolante térmico entre a temperatura ambiente e o frescor interno. A espuma é basicamente composta pelas partículas da bebida intercaladas com gás carbônico (CO2), que, entre outras propriedades, ajuda a evitar que o chope esquente rapidamente.

A VALIDADE

As cervejas possuem validade de 6 meses e o chopp, por não ser pasteurizado, tem validade de apenas 11 dias. Após retirado o lacre do barril, o chopp deve ser consumido em, no máximo, 2 dias.
O TRANSPORTE

Os barris devem ser transportados em veículos fechados ou, no mínimo, lonados para protegê-los da luz solar.

Carregue os barris pelas alças. Nunca role os barris para que a qualidade e integridade química do produto não sofra alterações.
A TIRAGEM DO CHOPP

Para tirar um bom chopp da chopeira, encoste o copo bem enclinado no bico da torneira. Esse procedimento fará com que o chopp “corra” suavemente pelas paredes do copo. Abra a torneira e vá endireitando o copo devagar.

Deixe o líquido “correr” sem interrupções até cerca de 2 cm. da borda e feche rapidamente a torneira. Desta forma, irá se formar neste espaço de 2 cm o chamado “colarinho” ou “colar” de espuma.

1 surubim As curiosidades do chopp

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1- De onde vem a palavra chopp?
Chopp vem do alemão schopp e é uma medida de volume que equivale a 300 ml. Com o tempo, a palavra passou a designar a bebida.

2- Quanto mais gelado melhor o chopp?
Chopp a zero grau de temperatura tira a sensibilidade das papilas gustativas, diminuindo a sensação de aroma e sabor.

3- Então qual a temperatura ideal?
O ideal é que o chopp saia da máquina com temperatura entre 0 e 2 graus, para que chegue à mesa com 3 ou 4 graus e seja consumido entre 6 e 8 graus.

4- Como tirar um bom chopp?
Primeiro aproxima-se o copo levemente inclinado a 2 cm de distância da torneira. Quando o líquido chega ao meio, o copo deve voltar à posição vertical. Finalmente, com o copo quase cheio, gira-se a torneira para uma posição que só permite a passagem da espuma. Qualquer um aprende depois de três tentativas. O bom tirador é aquele que faz isso centenas de vezes numa noite e com rapidez.

5- Chopp estraga?
Sim. A bebida oxida muito facilmente. Um barril tem prazo de validade de 10 dias. Por isso é bom freqüentar bares onde o chopp tem mais saída. Bar vazio significa chopp velho.

6- Do que é feito o chopp?
Os ingredientes são água tratada, malte (que é feito da cevada), cereais cervejeiros (como o milho e o arroz), carboidratos e lúpulo (uma planta parecida com a cevada).

7- Qual a diferença entre chopp e cerveja?
Os ingredientes são os mesmos. No entanto, a cerveja recebe mais uma etapa no processo: a pasteurização. A temperatura da bebida que segue para a garrafa tem sua temperatura elevada e, rapidamente, abaixada, dando uma vida útil maior. Daí resulta a diferença de sabor.

8- Chopp é mais leve que cerveja?
Não. Por ser mais fresco, a pessoa tem a impressão de que o chopp é mais leve. Mas a fórmula é a mesma.

9- Como é feito o chopp?
O grão de cevada é selecionado, limpo, umedecido e estendido em uma grande sala (câmara de germinação) acondicionada entre 18 e 20ºC. O processo dura de 8 a 9 dias e é interrompido com uma corrente de ar de 25ºC que seca os grãos, que a essa altura desenvolveram enzimas. Depois são torrados em fornos especiais, entre 100 e 200ºC, e então moídos.Em seguida, os grãos são misturados à água. Depois de três horas o líquido é fervido e filtrado. No processo de fervura, acrescenta-se o lúpulo. Só depois ele é fermentado, resfriado a uma temperatura de 3,5ºC e transferido para tanques onde é mantido por trinta dias em temperaturas em torno de 0ºC. Por fim, é filtrado para a retirada de partículas em suspensão e para garantir brilho e transparência.

10- Quantos quilos de cevada são precisos para se fazer 1 litro de chopp?
São necessários 40 gramas de cevada para cada litro. Isso equivale, mais ou menos, a 12 pés de cevada.

11- O que é o chopp gourmet?
É aquele que obedece os padrões de qualidade estabelecidos por uma lei alemã de pureza, datada de 1516, que determina que apenas ingredientes de primeira linha podem ser usados em sua fabricação. O termo serve também para designar um chopp tirado de dois barris. Um só com a bebida, outro só com a espuma, que é mais cremosa.

12- Qual o tamanho ideal do colarinho?
Mais ou menos 3 cm de espuma.

13- Por que se deve beber com espuma?
A espuma é essencial para manter o gás. Ela protege a bebida do contato com o oxigênio, que faz o chopp amargar. A espuma também ajuda a preservar a temperatura do chopp.

14- Chopp dá barriga?
Não quando bebido com moderação. Um copo de 300ml de chopp tem entre 100 e 120 calorias, o mesmo que um suco de laranja. A diferença é que ninguém toma 10 sucos na mesma noite. Outro problema é que ninguém toma chopp sem que este seja acompanhado por algum petisco e estes sim é que normalmente são gordurosos e engordam.

15- Qual a diferença do chopp claro para o escuro?
Cada marca tem sua receita. De modo geral, o chopp escuro tem malte torrado ou leva adição de caramelo. Em alguns casos, além da cor, ele pode ser um pouco mais amargo.

16- O que é e para que serve a serpentina?
É um tubo que sai do barril e que leva o chopp até a torneira. Ela é envolta em gelo. É nesse trajeto que o chopp gela.

17- Que material é usado nas melhores serpentinas?
Cobre, alumínio ou aço inoxidável. São materiais que transmitem temperatura com rapidez.

18- Tamanho (da serpentina) é documento?
Não. O tamanho da serpentina não influencia a temperatura do chopp. Hoje em dia, há tecnologia que permite que o chopp gele mesmo em serpentinas curtas.

19- Como se deve lavar um copo de chopp?
Com sabão neutro e água corrente em grande quantidade. É importante não deixar gordura no copo, pois ela atrapalha a formação de espuma. Recomenda-se deixar secar naturalmente. Na hora de servir, molhar o copo ajudar a formar o colarinho.

20- Em que temperatura o chopp congela?
Por volta de 2,5 graus negativos.

21- Quantas marcas de chopp existem?
No Rio, cerca de 10, incluindo as das microcervejarias, como o da Galeria Gourmet.

22- Tomar chopp de canudinho dá mais onda?
O canudo em si não tem efeito algum. Só que acaba-se bebendo mais rápido e consumindo mais, o que aumenta o efeito.

23- Quando e onde inventaram o chopp?
Na Mesopotâmia (região onde hoje é o Iraque), há cerca de 6.000 anos. A cerveja só foi criada depois da invenção do processo de pasteurização, em 1876.

24- A qualidade da água influi no chopp?
Sim. A água tem de ser potável puríssima, portato, tratada para deixá-la no ponto certo, com PH adequado e quantidades balanceadas de minerais.

25- Congelar o copo antes de beber chopp é bom?
Aumenta a sensação de que a bebida está gelada. Mas, na prática, a diferença que um copo gelado dá é de cerca de meio grau a menos do que com o copo à temperatura ambiente. Quase nada.

26- O que faz a Guiness ser tão diferente?
O famoso chopp irlandês tem um paladar marcante. É bem mais encorpado. Sua espuma é mais espessa e cremosa, pois acrescenta-se nitrogênio ao gás.

27- O que os belgas colocam no chopp para que eles tenham sabores de cereja ou morango?
As próprias frutas. Elas são acrescentadas na etapa da fermentação.

28- Quais os tipos mais estranhos de chopp que existem?
Há chopps aromatizados com tabaco, com gosto de chocolate e até de pimenta.

29- Stout, Ale, Bitter, Smoked, que diabos é isso tudo?
São tipos diferentes de chopp. O Stout é feito no mesmo estilo da Guiness. O Bitter é mais amargo, é mais comum na Inglaterra. O Ale é de alta fermentação, muitas vezes com teor alcoólico mais alto. O Smoked tem parte do malte defumado.

30- Quanto se bebe de chopp no Rio?
Estima-se que sejam bebidos 73,8 milhões de litros por ano na cidade. Isso significa 30% do que se bebe no Brasil.

31- Por que o mesmo chopp pode ter gosto diferente conforme o local?
Era para ser igual em todos os lugares. Ele fica diferente devido a problemas na armazenagem dos barris, na formação de espuma, na limpeza dos copos, na refrigeração e na competência do tirador. Há ainda a questão de que nem sempre o chopp anunciado é o que realmente está sendo vendido, por vezes na realidade está sendo servido um chopp de qualidade igual mas sabor diferente ou de qualidade inferior visando reduzir custos.

32- Qual o teor alcoólico do chopp?
A graduação varia entre 4,5% e 5%. O vinho tem 8%, o licor 22% e destilados, como a vodca e o uísque, 42%.

33- O que tem mais gás: chopp, cerveja ou refrigerante?
O chopp tem a mesma quantidade de gás que a cerveja. Ambos têm menos gás que o refrigerante.

34- Até quantos chopps é permitido dirigir?
Depende do peso da pessoa e da capacidade de seu organismo processar o álcool. Mas aconselha-se, de modo geral, a beber apenas dois copos. Mais do que isso se torna um risco enfrentar o trânsito e o bafômetro.

35- Qual o país onde mais se bebe chopp?
Alemanha.

36- Quantos mililitros são “roubados” num copo com três dedos de espuma?
Nenhum. Os copos costumam ter 330 ml e são servidos com 300 ml de líquido e o resto de espuma. No exterior, é comum haver copos com a marca de 300 ml estampada. No Brasil, é preciso confiar no olho do tirador.

37- Qual é o copo ideal para uma boa degustação?
Tem de ser fino. De preferência de cristal. O contato da boca com um copo mais fino e mais gelado é mais prazeroso. Também é aconselhável o uso de copos longos, com fundo mais estreito que a boca, para facilitar a formação do colarinho.

38- Qual a melhor cevada do Brasil?
É a cultivada no cerrado, na região do Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais. As hastes têm 6 fileiras e os grãos tem qualidade comparável aos da Europa e superiores aos do Sul do país. No Rio Grande do Sul, há mais plantações (100 mil hectares contra apenas 7 mil da região central), mas as hastes só dão duas fileiras de grãos e a colheita às vezes é prejudicada pelas chuvas.

Via Vicente Chopp

mai 10

O Primeiro Bar Ecològico

o Primeiro bar ecologico…

mai 08

O maior Colecionador de Cachaça do Brasil e do Mundo

A VERDADEIRA HISTORIA DA CACHAÇA

Autor: Messias S.Cavalcante
ISBN: 978-85-88193-62-8

A VERDADEIRA HISTÓRIA DA CACHAÇA é uma obra empolgante de um pesquisador apaixonado. Messias Cavalcante, autor deste livro, ostenta uma menção no Guinness como o maior colecionador de garrafas de cachaça do mundo!

Conhecimento ele tem de sobra pra falar do assunto e a paixão você vai sentir à medida que se envolver com a prosa desse paulista que reside atualmente no Sul de Minas Gerais. Minucioso e preciso, Cavalcante reúne nesta obra definitiva a história da criação e da produção da bebida, demonstrando como índios, brancos e negros participaram da receita. Mostra o papel dos colonizadores e até de certa parte do clero que usou a cachaça com fins catequizadores – e não é que conseguiram tornar fiel todo um país? –, até os dias de hoje, com a bebida ocupando um lugar nobre em nosso patrimônio cultural, profundamente enraizada em nossos hábitos e nosso folclore.

Se você acha que a cachaça é uma invenção brasileira, espere um pouco! Pois ao mesmo tempo em que monta o seu relato, Cavalcante desmonta mitos, verdades até então inabaláveis, provocando o leitor com dados e informações que enriquecem e dão mais sabor à leitura… e a sua próxima dose de uma autêntica cachaça de qualidade!

Messias S. Cavalcante, Ph.D. em Biologia, nasceu em Andradina/SP, ex-pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). Reside atualmente no Sul de Minas Gerais, à beira do Lago de Furnas. É detentor do Guinness Record para a maior coleção de garrafas de cachaças do mundo.

outras informações: www.pingaiada.alfenas.net

abr 23

Todo amor ao bar (e ao boêmio)!

O livro é muito doido, foi uma delícia lê-lo rapidamente, mas, hoje, só me lembro de uma frase do autor, colocada na boca de um dos personagens (provavelmente autobiográfico): “os homens amam os bares e os bons bares merecem ser amados”. O livro em questão é Os Subterrâneos (The Subterraneans) e o autor é o já falecido Jack Kerouac — mais conhecido pelo sensacional Pé Na Tábua (On The Road), espécie de ‘bíblia’ daquela geração de escritores errantes, transgressores e libertinos que mudaram a face da literatura norte-americana e, por tabela, mundial: os beatniks.

Kerouac não era exatamente um freqüentador assíduo de bares, embora os visitasse vez por outra. Era só um bebedor, além de drogado. Bebia na casa de sua mãe em Nova Iorque — onde costumava passar metade do ano, quando a grana acabava — ou nas estradas, em hotéis vagabundos e em bancos de automóveis, enquanto cruzava a América e o México na companhia de seu inseparável amigo (e algo mais) Neal Cassady. Mas a frase de seu livro “menor” é tão simples quanto genial.

Que o diga outro escritor e poeta norte-americano, o beberrão Charles Bukowski — autor, entre outros, de livros como Cartas na Rua, Mulheres, Factótum, Notas de Um Velho Safado e a ‘bilogia’ Ereções, Ejaculações, Exibicionismos e Outras Estórias de Loucura Ordinária, volumes 1 e 2, aqui traduzidos, respectivamente, para Crônica de Um Amor Louco e Fabulário Geral do Delírio Cotidiano. Nesses dois últimos, principalmente, o cineasta ítalo-americano Marco Ferreri se baseou para filmar um dos ‘cult movies’ dos anos 80, Tales of Ordinary Madness (aqui, Crônica de Um Amor Louco), com Ben Gazzara enchendo a cara, recitando poemas em eventos fuleiros e transando com a bela Cass, vivida pela linda atriz italiana Ornella Mutti.

Menos sedutor e mais visceral do que o anterior, um filme é a cara de Bukowski, até porque o roteiro foi escrito por ele: Barfly (algo como “Mosca de Bar”), dirigido por Barbet Schroeder. O filme traz um Mickey Rourke irreconhecível, gordo, deformado (não tanto como agora) e brilhante no papel do escritor desajustado, brigão e alcoólatra Henry Chinaski (alter ego de Bukowski), que vagueia pelos bares do lado obscuro de Los Angeles, onde conhece outra alcoólatra, vivida por Faye Dunaway. Ele chega a ser cooptado temporariamente por uma editora bonita e ‘sexy’, mas logo desiste da ‘gaiola de ouro’ que ela lhe oferece e volta para a sarjeta, feliz da vida. Bukowski gostou tanto do filme que escreveu um livro sobre sua nova experiência de roteirista da sétima arte: Hollywood, já editado no Brasil (assim como todos os citados anteriormente e quase tudo que ele escreveu depois).

Claro que o tema seduz. Bares existem mesmo para serem amados — os bons, como dizia o Kerouac. No Brasil, por exemplo, há muitos inesquecíveis. Na telona, Bar Esperança — O último que fecha, de Hugo Carvana — com o próprio Hugo, Marília Pêra, Sílvia Bandeira, Antônio Pedro e Paulo César Pereio dando um show de humor e interpretação. A fita é o exemplo máximo desse amor. Hilariante e comovente na medida certa, o filme é um clássico do que poderíamos chamar de ‘cinema alcoólico’. E, cá entre nós, nenhum filme recente, dentro do gênero, chega aos pés dele. Não para nós, quarentões, que militamos nas mesas e balcões da vida há mais de duas décadas…

Enfim, o amor do homem pelo bar é antigo. Deve ter havido, na capital grega, algum lugar denominado pelos iniciados de ‘Baixo Atenas’, onde o vinho mediterrâneo e as azeitonas gregas (de tira-gosto) faziam a festa dos notívagos, biriteiros e filósofos mais existencialistas — ‘antepassados’ do inesquecível carioca Roniquito Chevalier (habitué do Antonio’s) e do niteroiense Robertinho Sacanagem, que flanava do Petit Paris ao Steak House, passando pelo Bar do Noel e por onde mais houvesse álcool engarrafado.

Este mesmo escriba nascido em Niterói, ex-morador do Rio e feliz cidadão teresopolitano, já fui apaixonado pelo eterno Hipódromo, no Baixo Gávea (‘Hipo’ para os íntimos), que freqüentava, às vezes, de segunda a segunda. Hoje, o amor virou uma gostosa amizade, mesmo não o visitando há tempos. Sei que está lá, mas sem o charme de antes, quando esbarrava com o poeta Chacal, discutia com o cantor Ednardo e via de longe o papo do Buza Ferraz com a Olívia Byington. Sem falar no Petit, então casado com a apresentadora global Leilane Neubarth, com quem eu encontrava ininterruptamente nos mais variados eventos, desde a época em que cursávamos a mesma faculdade, a Eco-UFRJ, fazendo-me acreditar que o Petit era muitos em um — talvez o primeiro bêbado clonado da história… Até em Rio das Ostras encontrei o Petit!

Outro bar digno de nota foi o saudoso Água Na Boca, em Icaraí, Niterói, sucessor legítimo do Hipo, na vida real (e do Bar Esperança, na ficção). Mal falado e bem freqüentado (na minha opinião), ali se fazia de tudo — até o ilícito (no qual eu não tomava parte). Seus donos, Maurício e Elísio (infelizmente já falecido), além de gentis, eram bastante pacientes na hora de cobrar contas e mais contas penduradas… E o bar fervilhava de gente interessante — da cantora Rita Mansur ao artista plástico Luiz Carlos de Carvalho; dos atores Eleusa Mancini e Zeli Mansur ao também ator Marcelo Caridad; do roteirista do Vídeo Show, Rixa, à dramaturga Anamaria Nunes, sem falar em professoras e professores universitários, estudantes, músicos, políticos locais, artistas amadores, jornalistas, médicos, profissionais liberais (e põe liberal nisso), doidões, porras-loucas etc. A fauna noturna!

Mas, alegria de bêbado vira ressaca e, com o fechamento provocado pela rabugice dos vizinhos, partiu-se de copo e cuia para o Steak House, a poucos metros de distância (o ‘Água’ ficava na Presidente Backer e o Steak ainda existe na Rua Gavião Peixoto). Na teoria, trata-se de um restaurante de carnes, onde também se serve bebida, especialmente chope, honestíssimo. Nunca teve o charme do Água Na Boca, mas, em compensação, havia mais profissionalismo entre garçons e até freqüentadores. Os porras-loucas migraram para outros locais mais “podiscrer”, enquanto o resto se aboletou nas mesas logo à frente, no comprido corredor dividido em dois ambientes. A parte dianteira, pelo menos com o avançar das horas, transformava-se em bar, deixando lá no ‘fundão’ os famintos e os adoradores de picanhas e chuletas.

E assim correram anos. O bom do Steak é que fecha tarde, muito tarde, até para os padrões cariocas. Os preços são bons e os drinques bem chorados. Na “minha época”, o chope vinha bem sedutor e as conversas eram agradáveis — noves fora algum pentelho político deslocado, num ambiente em que muitos amigos faziam política de maneira inteligente e leve, sem problemas. Ali, ficava-se a par do que acontecia na vida cultural e política da cidade. Arrumavam-se emprego e namoradas (ou namorados). Marcavam-se festas. E os garçons Severino e Muniz reinavam absolutos na preferência dos boêmios — tendo sido eleitos algumas vezes, alternadamente e em votação secreta e direta, o Garçom do Ano. Lá no ‘fundão dos comilões’, com suas mesas enormes e famílias ou turmas inteiras detonando filés com fritas, era soberano incontestável o veloz Maradona — baixinho e genial no atendimento, como o original nos gramados.

Enfim, os homens amam os bares e os bons bares merecem ser amados mesmo. Para isso, porém, precisam ter ‘alma’, ter estilo e personalidade — sempre com simplicidade. Nada a ver com esses bares da moda, enfeitados e coloridos, ‘clean’, freqüentados por universitários engomadinhos com carros possantes, patricinhas exibindo grifes, playboys arruaceiros, jecas deslumbrados e aqueles tipos indefectíveis que, como diz meu amigo Macedo Rodrigues — um dos maiores boêmios cariocas vivos —, passam a semana inteira dormindo cedo, bebendo suco e refrigerante e, nos fins-de-semana, chegam no bar fazendo cara de veteranos do álcool e cantando em grupo (com o perdão do Chico Buarque): “Chegou a turma do funil/ todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto/ Ôooooo!/ Mas ninguém dorme no ponto/ Nós é que bebemos e eles que ficam tontos”…

Francamente. Só os bons bares (e os bons boêmios) merecem ser amados. Ou, pelo menos, levados a sério…
Ney Reis Bustamante Filho*

abr 23

Poeminha de botequim

Poeminha de botequim

No meio do caminho tinha um bar
Tinha um bar no meio do caminho
No caminho tinha um bar do meio
Um bar do meio no caminho tinha
Um caminho do meio no bar tinha
No bar tinha um caminho do meio
Do meio no bar tinha um caminho
Tinha um caminho do meio no bar
Alguém pede a conta… rápido!

abr 23

Os mandamentos do boêmio

Nestes escuros dias onde uma cervejinha no final do dia com os amigos pode te levar para o “xilindró”, melhor rever os dez mandamentos de uma das classes mais antigas e unidas do mundo: os boêmios. Mas uma dúvida persiste: como será que o cachaceiro mor está fazendo para dirigir o país?

É de bom tom sempre guardar o nome dos garçons, afinal de contas é no ombro deles que vais chorar, ao som de “Nervos de Aço”, a inevitável, acachapante e humaníssima dor de corno.

Na saúde e na doença, a culpa será sempre do tira-gosto, ah, aquela calabresa, aquele torresmo, aquela azeitona me fez mal à beça… Jamais a culpa será da cachaça ou do uísque.

Boemia é como futebol, é ritmo de jogo, seqüência; se você a larga por uns dias, ela te pega na volta, mesmo que peças, suplicante, a tua nova inscrição.

A divisão do tempo da prosa, na mesa de um bar, deve obedecer ao seguinte critério: 50% sobre mulheres, 40% sobre futebol e 10% sobre as ressacas monstruosas, a nostalgia precoce das quedas. E que venham as próximas.

Procures sentar sempre nas primeiras mesas do botequim, se possível na calçada, pois todos os dias, alguma mulher irada sai de casa, revoltada com o consorte, e diz assim: “Hoje eu vou dar para o primeiro que encontrar”. Se bem colocado, o sorteado pode ser você, bravo boêmio.

Direito máximo do consumidor boêmio: desde que o freguês não se incomode com água e sabão nos pés, poderá ficar no recinto até a descida do portão de ferro.

É livre o “pindura”, data vênia, para fregueses com mais de cinco anos de casa, como reza a lei do usucapião.

Meu bar/meu mar… É permitido nadar no seco.

Andem sempre com o endereço e os seus nomes completos pendurados na correntinha do pescoço.

No país da impunidade, a saideira é como a lei, existe para ser desobedecida. Seu garçom faça o favor! Mais uma!

abr 23

Portal do Boemio -Vicente Celestino

Antônio Vicente Filipe Celestino (Rio de Janeiro, 12 de setembro de 1894 — São Paulo, 23 de agosto de 1968) foi um dos mais importantes cantores brasileiros do século XX.

Nasceu no bairro de Santa Teresa, filho de italianos da Calábria. Dos seis homens (eram onze irmãos), cinco dedicaram-se ao canto e um ao teatro (Amadeu Celestino[1]). Desde os 8 anos, por causa de sua origem humilde, Celestino teve de trabalhar: sapateiro, vendedor de peixe, jornaleiro e, já rapaz, chefe de seção numa indústria de calçados.

Começou cantando para conhecidos e era fã de Enrico Caruso. Antes do teatro cantava muito em festas, serenatas e chopes-cantantes. Estreou profissionalmente cantando a valsa Flor do Mal no teatro São José e fez muito sucesso e também entrou no seu primeiro disco vendendo milhares de cópias em 1916 na Odeon (Casa Edison).

Em 1920 montou uma companhia de operetas, mas sem nunca deixar o carnavalesco de lado, emplacando sucessos como Urubu Subiu. Rapidamente, depois de oportunidade no teatro, alcançou renome. Formou companhias de revistas e operetas com atrizes-cantoras, primeiro com Laís Areda e depois com Carmen Dora. As excursões pelo Brasil renderam-lhe muito dinheiro e só fizeram aumentar sua popularidade. Nos anos 20, reinava absoluto como ídolo da canção. Na década de 30 começou a demonstrar seus dotes como compositor resultando em clássicas de seu reportório, como ‘O Ébrio’, sua música mais lembrada até hoje (inclusive transformada em filme por sua esposa). Vicente Celestino teve uma das mais longas carreiras entre os cantores brasileiros. Quando morreu, às vésperas dos 74 anos, no Hotel Normandie, em São Paulo, estava de saída para um show com Caetano Veloso e Gilberto Gil, na famosa gafieira “Pérola Negra”, que seria gravado para um programa de televisão.

Na fase mecânica de gravação, fez cerca de 28 discos com 52 canções. Com a gravação elétrica, em 1927, sentiu uma certa inaptação quanto ao rendimento técnico, logo superada. Aí recomeçaria os sucessos cantados em todo o Brasil. Em 1935 foi contratado pela RCA VICTOR, praticamente daí sua única gravadora até falecer. No total, gravou em 78 RPM cerca de 137 discos com 265 músicas, mais dez compactos e 31 LPs, nestes também incluídas reedições dos 78 RPM.

Vicente Celestino, que tocava violão e piano, foi o compositor inspirado de muitas das suas criações. Duas delas dariam o tema, mais tarde, para dois filmes de enorme público: O Ébrio (1946) e Coração Materno (1951). Neles Vicente foi dirigido por sua mulher Gilda Abreu (1904 – 1979), cantora, escritora, atriz e cineasta.

Celestino passaria incólume por todas as fases e modismos, mesmo quando, no final dos anos 50, fiel ao seu estilo, gravou “Conceição”, “Creio em Ti” e “Se Todos Fossem Iguais a Você”. Seu eterno arrebatamento, paixão e inigualável voz de tenor, fizeram com que o povo o elegesse como A Voz Orgulho do Brasil.

Nunca saiu do Brasil e manteve sua voz grave que era marca registrada independente do estilo musical que estava executando. Teve suas músicas regravadas por grandes nomes, como Caetano Veloso, Marisa Monte e Mutantes.

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